Recentemente eu estava de plantão e, lá pela madrugada houve uma parada cardíaca de um paciente internado. Fui chamado e era uma pessoa relativamente jovem, portadora de uma doença grave, mas não de imediato fatal. Teve uma complicação e parou de respirar. Ao chegar lá fizemos os procedimentos de praxe mas não adiantou e ela faleceu. Eu era a pessoa que tinha que comunicar a família do óbito. Este é o momento mais espinhoso da minha profissão. Prefiro falar de uma vez prá acabar logo com isso.
Às vezes eu me pergunto qual é o real papel do médico nos desígnios divinos. Se Deus atendesse todos os pedidos de evitar a morte, seríamos uma legião imensa de zumbis, vivendo sem sentido.
Para se trabalhar com medicina e espiritualidade é preciso ter em mente alguns conceitos. Primeiro de que a morte e o sofrimento são absolutamente indispensáveis ao crescimento do espírito. Mudam-se os valores, acertam-se dívidas, renova-se o ser humano. Segundo, que ao médico não cabe julgar se tal pessoa merece morrer ou sofrer. Ele é um instrumento, vamos dizer, do destino. Se este indivíduo chegou até ele, tem-se que fazer de tudo para evitar ou minorar seu sofrimento. Acho que Deus usa o "mal médico" também para fazer o contrário, claro que ele também vai sofrer consequências, mas, nunca devemos pensar que a pessoa que sofreu uma negligência, omissão ou imperícia seja uma pessoa ruim, pois, mais uma vez repito que a morte não é necessariamente um mal.
Mas existem situações que realmente fica difícil assumir uma postura. Por exemplo: uma pessoa em morte cerebral, ou câncer terminal, sofre uma parada cardíaca, você vai reanimar? Provavelmente não. Quantas vezes prolongamos o sofrimento de uma pessoa que perdeu toda a sua família e ficou só, que tem doenças graves mas controláveis. Isto sim, é difícil. Mas, se chegou em nossas mãos, vamos cumprir a cartilha. No fim, não deixa de ser um trabalho fascinante. As rosas superam os espinhos.
Para concluir, para aqueles que se consideram vítimas de um mal atendimento médico, gostaria de dizer que vocês têm todo o direito de processar o médico ou a instituição que lhes atendeu, pode até ser salutar para aqueles que necessitam de correção, mas não se esqueçam que tudo é parte de um Destino Maior e que somos co-responsáveis por tudo que nos acontece. Esse sentimento tem que ser cultivado com afinco para dissolver as mágoas e rancores. Bjos.
segunda-feira, 19 de abril de 2010
domingo, 18 de abril de 2010
Obrigado
Obrigado, muito obrigado ao leitor que postou o comentário sobre o anônimo. Foi magnífico.Eu não poderia deixar de agradecer. Assim como a gente desperdiça nosso tempo e principalmente energia com pre-ocupação (nem sabemos se vai acontecer alguma tragédia, mas já nos ocupamos dela), pre-conceito (geralmente as pessoas são diferentes do que imaginamos, prá melhor ou pior). Tudo energia e rugas inúteis. Até!
sábado, 17 de abril de 2010
Sexualidade e Afetividade
Ontem eu tomei um porre. Fui numa formatura e, acho que devido ao stress da semana, sei lá, perdi o meu limite de segurança. Tava muito divertido, mas, mesmo naquela condição, minha cabeça não parou de trabalhar. Ela não me dá férias, sábado e domingo. Acho que vou dar parte dela por trabalho escravo.
Uma vez me disseram que existem 7 sexos. O heterossexual, o heterossexual com alguma tendência homossexual, o bissexual, o bissexual com preferência heterossexual, o bissexual com preferência homossexual, o homossexual e o homossexual com alguma tendência homossexual.
Ontem no baile, eu percebi que a coisa é ainda mais complexa. A afetividade corre paralela e independente. Pessoas tendem a ser muito "homoafetivas". Gente, principalmente de fogo, solta a franga. Homens e mulheres se abraçam, formam-se clubes do bolinha e da luluzinha com facilidade. Parece que o relacionamento homem-mulher é apenas sexual. O gostoso mesmo é sentar com os amigos(as) e rir até. Na verdade é amizade e amizade tem afeto e pessoas do mesmo sexo têm muito mais pontos em comum do que o contrário.
Isso tudo não tem nada de mais, assim como a sexualidade de cada um só interessa a própria pessoa. Eu só tô falando isso porque é importante o autoconhecimento e o conhecimento do seu parceiro tanto na sexualidade como na afetividade e saber se isso é aceitável para você no relacionamento. Mulheres reclamam com frequência que foram substituidas pelo futebol com os amigos e que eles discutem seus problemas com mais facilidade com o zagueiro do time. Bem que elas poderiam bater uma "pelada" (no bom sentido, mas no mal sentido... deixa prá lá, né). Esporte coletivo é uma puxa terapia. Você xinga o outro quando precisa e acabou. Descarrega a energia, melhora o relacionamento social e explida a "homoafetividade" maior entre homens que entre mulheres.
Sei que minha amiga Célia que segue meu blog poderia escrever sobre isso e me por no chinelo. Estou ao seu dispor. Bjos a todos.
Uma vez me disseram que existem 7 sexos. O heterossexual, o heterossexual com alguma tendência homossexual, o bissexual, o bissexual com preferência heterossexual, o bissexual com preferência homossexual, o homossexual e o homossexual com alguma tendência homossexual.
Ontem no baile, eu percebi que a coisa é ainda mais complexa. A afetividade corre paralela e independente. Pessoas tendem a ser muito "homoafetivas". Gente, principalmente de fogo, solta a franga. Homens e mulheres se abraçam, formam-se clubes do bolinha e da luluzinha com facilidade. Parece que o relacionamento homem-mulher é apenas sexual. O gostoso mesmo é sentar com os amigos(as) e rir até. Na verdade é amizade e amizade tem afeto e pessoas do mesmo sexo têm muito mais pontos em comum do que o contrário.
Isso tudo não tem nada de mais, assim como a sexualidade de cada um só interessa a própria pessoa. Eu só tô falando isso porque é importante o autoconhecimento e o conhecimento do seu parceiro tanto na sexualidade como na afetividade e saber se isso é aceitável para você no relacionamento. Mulheres reclamam com frequência que foram substituidas pelo futebol com os amigos e que eles discutem seus problemas com mais facilidade com o zagueiro do time. Bem que elas poderiam bater uma "pelada" (no bom sentido, mas no mal sentido... deixa prá lá, né). Esporte coletivo é uma puxa terapia. Você xinga o outro quando precisa e acabou. Descarrega a energia, melhora o relacionamento social e explida a "homoafetividade" maior entre homens que entre mulheres.
Sei que minha amiga Célia que segue meu blog poderia escrever sobre isso e me por no chinelo. Estou ao seu dispor. Bjos a todos.
domingo, 11 de abril de 2010
Resposta ao anônimo
Caro amigo, não há necessidade de se apresentar assim. O acidente que aconteceu com o Sr. José foi uma fatalidade. Eu até, no início me senti culpado. Aquela culpa irracional que sentimos, quando participamos de uma tragédia. Será que eu poderia ter evitado? Essa dúvida me martelou a cabeça por muito tempo. Queria saber como a pessoa que sobreviveu estava. Mas, como eu falei no texto sobre Isabella, o emocional toma conta da cabeça das pessoas muito mais rápido que a razão, e eu tive medo de um julgamento precipitado pela família. Consolava-me a idéia de que ele teve assistência médica necessária. Alguns dias depois, a família me ligou perguntando sobre mim e as pessoas que estavam comigo. E que compreendiam que não houve uma condição de negligência de minha parte. Disse também que o sobrinho que acompanhava o Seu José estava no hospital em estado grave, mas com condições de sobreviver. Fiquei muito feliz, por saber que se tratava de uma família de bem, que não se levava pela emoção, exatamente o que eu escrevi. Pode ser que eu esteja errado. Que eu deveria ligar, mesmo com o risco de ser mal julgado. Obrigado por você me corrigir. Quero dizer que rezei muito pela alma do Seu José e pela recuperação do seu sobrinho. Se há algo de concreto que eu possa fazer pelo acidentado, entre em contato comigo.
Um abraço fraterno.
Um abraço fraterno.
POUSO ALEGRE
Caríssimos amigos, com quem eu tive a honra de conviver por 6 dos melhores anos de minha vida. Hoje, o Camilo me fez ir às lágrimas com sua carta.
Desde aqueles primeiros dias de convivência nossa, eu já me sentia que estava em casa.
Estávamos todos na mesma condição. Nossos pais se viravam no avesso para pagar a faculdade, vivíamos com o orçamento apertado, começando a descobrir o mundo, mundo que eu acho que quase não existe mais.
Eu tinha problemas de convivência em casa e também pra voltar, eram 6 horas de ônibus, então eu raramente viajava. Vocês passaram a ser a minha família.
Prá ser sincero, quando vi a faculdade pela primeira vez, foi uma decepção. Era um pombal no fim do mundo. Sonhava com uma UNICAMP, São Paulo ou Santos. Mas fiquei. Com o tempo percebi que foi a decisão mais acertada.
Aqueles anos, principalmente os primeiros foram de um êxtase contínuo.
Hoje, procuro não forçar a memória, com medo de provocar uma dependência de saudosismo incurável.
Minha república era minha casa, meus companheiros, meus irmãos, o Wilson, às vezes era meu pai, a minha classe eram meus primos, a família estava completa.
Engraçada a combinação de juventude, liberdade e falta de dinheiro faz com a gente.Tudo fica poético, romântico.
Eu tenho alguns itens para acrescentar na lista do Camilo além do DA e do Risca Faca:
- Festa junina na república da Glorinha.
- Bar do Chico
- Vinho Marcon suave, de garrafão
- Ressaca f.d.p. depois do vinho Marcon suave de garrafão.
- Baile do bixo com toda gaviãozada em cima das bixas (mulheres) novas.
- Frango assado e cerveja mais barata do lado do Mercadão.
- O Álvaro, último de nós a dormir, com seu violão tocando pros gatos pingados quase dormindo.
- Festa do ECEM que, sem querer, virou evento municipal.
- Festa no Pântano dos Rosa. (não tem acento, mas o Office não entende) que a gente ia de bicão
- Festas que a gente ia de bicão, inclusive da filha do prefeito, com direito a baixaria.
- A Márcia que vomitou vinho no meu banheiro, apagou e depois achou que era sangue.
Enfim, se eu forçar mais a memória, a lista não tem fim.
Bem, o Lee, como o Camilo falou, foi mais cedo. Mas, se é verdade que as almas se agrupam depois, por afinidade, pode ser que estamos predestinados a fazermos novas repúblicas no céu, só que sem vinho Marcon de garrafão, porque então estaremos no inferno ou próximo dele.
Beijos a todos.
Desde aqueles primeiros dias de convivência nossa, eu já me sentia que estava em casa.
Estávamos todos na mesma condição. Nossos pais se viravam no avesso para pagar a faculdade, vivíamos com o orçamento apertado, começando a descobrir o mundo, mundo que eu acho que quase não existe mais.
Eu tinha problemas de convivência em casa e também pra voltar, eram 6 horas de ônibus, então eu raramente viajava. Vocês passaram a ser a minha família.
Prá ser sincero, quando vi a faculdade pela primeira vez, foi uma decepção. Era um pombal no fim do mundo. Sonhava com uma UNICAMP, São Paulo ou Santos. Mas fiquei. Com o tempo percebi que foi a decisão mais acertada.
Aqueles anos, principalmente os primeiros foram de um êxtase contínuo.
Hoje, procuro não forçar a memória, com medo de provocar uma dependência de saudosismo incurável.
Minha república era minha casa, meus companheiros, meus irmãos, o Wilson, às vezes era meu pai, a minha classe eram meus primos, a família estava completa.
Engraçada a combinação de juventude, liberdade e falta de dinheiro faz com a gente.Tudo fica poético, romântico.
Eu tenho alguns itens para acrescentar na lista do Camilo além do DA e do Risca Faca:
- Festa junina na república da Glorinha.
- Bar do Chico
- Vinho Marcon suave, de garrafão
- Ressaca f.d.p. depois do vinho Marcon suave de garrafão.
- Baile do bixo com toda gaviãozada em cima das bixas (mulheres) novas.
- Frango assado e cerveja mais barata do lado do Mercadão.
- O Álvaro, último de nós a dormir, com seu violão tocando pros gatos pingados quase dormindo.
- Festa do ECEM que, sem querer, virou evento municipal.
- Festa no Pântano dos Rosa. (não tem acento, mas o Office não entende) que a gente ia de bicão
- Festas que a gente ia de bicão, inclusive da filha do prefeito, com direito a baixaria.
- A Márcia que vomitou vinho no meu banheiro, apagou e depois achou que era sangue.
Enfim, se eu forçar mais a memória, a lista não tem fim.
Bem, o Lee, como o Camilo falou, foi mais cedo. Mas, se é verdade que as almas se agrupam depois, por afinidade, pode ser que estamos predestinados a fazermos novas repúblicas no céu, só que sem vinho Marcon de garrafão, porque então estaremos no inferno ou próximo dele.
Beijos a todos.
sexta-feira, 2 de abril de 2010
Isabella Nardoni
Eu esperei, propositalmente, passar a grande comoção popular para escrever, e lamentar como as pessoas se encheram de ódio com o caso e agravado com o martelar constante da imprensa e com resultantes de aumento nas pressões dos hipertensos, na glicemia dos diabéticos, nas dores dos reumáticos e assim por diante. Em tempo, a condenação foi justa? Foi, se considerarmos o aspecto da resposta da justiça à sociedade. Se é cristão? Bem, todo a estrutura do sistema penal no Brasil e quase em todo o mundo não o é, porque não promove a recuperação do ser humano, portanto, não corta a roda viva do mal. Uma vez eu falei que indivíduos psicopatas, são um caso a parte, porque não têm respostas aos métodos conhecidos na ciência mental atual. É o caso? Não sei. O enfoque foi tanto na barbárie que nem se cogitou em uma análise mais racional. Pelo menos eu não vi. Mas estamos longe disso, não é? O casal vai conviver com outros presos, serão acrescentados ao submundo das cadeias com regras próprias e, daqui um tempo o mundo volta ao normal até que uma nova tragédia ocorra para saciar a nossa sede de sangue e novamente perguntarmos: porque o mundo é assim? Demorei um pouco para escrever também, porque uma pergunta me martelava: eu seria tão condescendente se fosse com o meu filho? Um dia eu acordei e acho que Deus me deu a resposta. Depende. Existe o animal dentro de mim e se eu pegasse um sujeito fazendo mal, colocando a vida do meu filho em risco, provavelmente partiria para cima com intenção de matar, se tivesse tempo para pensar, talvez não. Mas não fazemos parte deste drama e temos condições de não sermos cúmplices deste linchamento mental. A recuperação do ser humano deveria ser alvo do governo, não a ponto da ingenuidade, de ficarmos sujeitos às espertezas dos advogados, mas algo realmente movido pelas leis do Amor com auxílio da ciência. Bjos.
Pedofilia e Celibato
Desculpem, meus amigos, mas eu não vejo solução para esse problema na Igreja. Não nessa estrutura. Vamos pensar: pessoas com desvio, tipo pedofilia, em que se tem um objeto de desejo totalmente inaceitável socialmente e altamete nocivo para um ser humano em formação, carrega uma culpa do tamanho de um elefante nas costas. Então entrar para uma instituição religiosa é uma fuga e não uma espiritualidade que brota genuina. Uma terapia de choque. Só que é mais uma peça que o subconsciente brota no masoquismo da pessoa. Vai para uma instituição que homens convivem com homens, muitas vezes mais novos, e a tortura é diária. Uma vez, Nely, minha eterna psicóloga, me disse que a culpa dispara a compulsão, num círculo vicioso. Então é natural que o desejo rompa a barreira do controle imposto e estas coisas aconteçam. Como fazer terapia num lugar em que não há concessões para a sexualidade? Pode-se usar medicamentos, mas eu sou cético de que eles podem curar a alma. Mesmo assim é válido para reduzir os danos a terceiros. Desistir, estas pessoas não vão, porque, mesmo abandonando a carreira, eles continuarão se sentindo culpados. É diferente do heterossexual que pode continuar com uma vida conjugal e trabalhos comunitários. Na verdade, todos somos causadores e vítimas do nosso tempo. Até 2 gerações atrás, a repressão era grande. A sexualidade, numa criança reprimida, se dá junto com o prazer do proibido. Depois veio a geração do contrário, da falta de limites, ou seja, quase todos nós temos problemas, mas com alguma lucidez de que, daqui por diante, temos que achar a dose certa, a medida da educação ideal. Então, no futuro, uma geração mais saudável, em que a espiritualidade ocorre naturalmente, será predominante e consequentemente, a sexualidade será livre de aberrações. Seremos todos peças de museu, fósseis de uma evolução que não pára. Como o que está feito está feito, vamos parar de nos chocar com estas coisas e ter fé que, com a nossa participação, como pais, tudo irá mudar. Bjos.
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