Abrolhos

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Veículos

Maria teve um encontro com Carlos, um desconhecido. Após uns drinques teve uma relação sexual forçada, mas nem tanto que caracterizaria um estupro e não estava amparada por lei a fazer o aborto. Engravidou, o rapaz desapareceu e ela resolveu interromper a gravidez. Procurou um médico ginecologista, Dr José que disse que não faria mas indicou Dr. João que trabalhava com isso. Chegando lá foi atendida pela enfermeira Helena que lhe disse que, a pedido do Dr. Pedro, perguntava a todas as suas clientes se era isso que ela realmente queria e se ela sabia dos riscos. Disse lhe que sim e assim foi feito.
Este fato é banal e meramente ilustrativo, se quiserem pode colocar ao invés do nome escolhido, Lineu para qualquer personagem. Não quero falar sobre Carlos e Maria porque, obviamente eles adquiriram um débito nas suas vidas.
Uma vez por semana eu encontro na Casa Francisco de Assis, o espírito de um frei franciscano. Fazia um calor "dos diabos" (desculpe, a piada me foi irresistível) e eu perguntei se nos umbrais fazia um calor destes e se a gente já não estaria se preparando para aquilo. Ele, lógico que usando um corpo da minha querida Neuza, me disse que havia três tipos de umbrais, leve, moderado e pesado e que nos pesados estavam, por exemplo, os médicos que faziam aborto.
Comecei a pensar: a vontade era de Maria, na estorinha acima, a decisão foi dela então Pedro foi só o veículo que a permitiu executá-la. Tudo que pode ser prejudicial à vida tem um veículo. Fabricantes e vendedores de motos, açougueiros de carne gorda, vendedores de loterias, bares que vendem pinga, donos de indústrias poluentes, fabricantes de cigarros.
A nossa economia é formada apenas por uma pequena parte de coisas estritamente nobres, como por exemplo, a medicina e mesmo esta pode ser veículo de interesses escusos. Essa economia movimenta empregos indiretos como o de Helena, a enfermeira. Que peso tem estes veículos, participantes e co-participantes, como o Dr. João que não fez o aborto, não lucrou nada com isso, mas indicou quem o faria?
Estruturas facilitadoras são instrumentos da liberdade numa sociedade laica e, onde há um desejo há um caminho, por mais ilusório que ele seja. Padrões morais vão mudando na sociedade e, por exemplo, revistas de corpos pelados eram moralmente discriminados ontem e hoje são até status, como sair na capa da Playboy. A condenação nas esferas espirituais é feita por padrões vibratórios, pelo íntimo das pessoas ou por atos em si e convenções?
Pergunta complexa e eu só vejo resposta na relativização (é assim que escreve?), isto é, o fardo pode variar de acordo com a consciência, a falta de escolhas melhores, a saúde psicológica de quem utiliza esses veículos, danos causados e provavelmente, outros parâmetros que só a espiritualidade sabe.
Bjos a todos e, mais uma vez, desculpe a demora. É a inspiração que manda em mim.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Obrigado

Valeu Soraya, você me deu um presente de Natal maior do que você possa imaginar. Desejo a você e toda a sua família um 2011 renovado, cheio de energia positiva e cada vez mais coisas boas vão vir por aí. Assim Seja! Bjos.

sábado, 25 de dezembro de 2010

Natal

Prefácio: Caros seguidores, após este post, nem que tenham nada a acrescentar, digam um "oi", ou "Tô aqui" só pr'eu não me sentir um daqueles caras falando prá ninguém no meio da praça. Se pelo menos 2 ou 3 se manifestarem já me sentirei o próprio Roberto Shinyashiki de feliz. Não que eu não seja o único culpado, afinal eu mesmo não me seguiria se eu escrevesse tão vagamente e passasse semanas, meses sem notícias minhas.

O post de hoje é inspirado num programa que eu vi na TV sobre a Madre Teresa de Calcutá. Ela se confessava que, apesar de todo seu ativismo, toda sua fé, sentia um vazio incurável. Na minha pequenez eu ouso dizer que eu também sinto, mesmo quando eu troquei de religião católica pela doutrina espírita, embora esse vazio tenha diminuido. A racionalidade conforta até certo ponto.
Uma dúvida que eu queria trazer a vocês é que se Deus mandou seu filho mais evoluído à Terra para dar um rumo à humanidade há 2 mil anos, por que não o fez uns 200 anos depois quando a escrita estaria mais difundida e teríamos um relato mais preciso do que ele realmente teria dito? Eu mesmo tento responder e a resposta é que foi de propósito. Mesmo com toda a gama de interpretações que deram origem a tantas religiões, às vezes até digladiando entre si, se não tivesse tanto mistério envolvido, o emocional não seria acionado. E o emocional é o mal necessário que move o mundo, é o tempero, é o que penetra na camada de pedra que temos envolvendo nossos corações. É nosso estágio primitivo do espírito que a maioria se encontra. Cristo escolheu a cruz para entrar na história. Só Deus sabe, literalmente, quantos médiuns ou profetas, se preferirem, que não foram manchetes nos pergaminhos da época que caíram no esquecimento.
Mas o mesmo emocional tem que morrer para a evolução continuar, senão seremos como todas aquelas tias que vão nas igrejas, templos ou o que for para rezar mas não dispensam aquele comprimido de lexotan para dormir. Nessa transição há o vazio e só vejo o estudo e a caridade para preenche-lo. Refaço meus votos neste ano novo, que promete ser mais um ano doloroso de transformações e mudanças climáticas, de buscar a compreensão e conhecimento e o equilíbrio entre resignação e ação positiva. A mim e a todos vocês que me seguiram, até os anônimos. Bjos.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Resposta II

Caro Anônimo

Desculpe a grosseria, mas é para se tocar: você não está bem intencionado(a) para comigo. Primeiro não se identifica. Depois omite o fato de eu ter ligado sim. Depois ter oferecido ajuda de alguma forma. Eu só tenho o telefone do Seu Cláudio. Falei com ele (ou alguém da família)há algum tempo para saber do Valmir, o sobrinho do seu José. Me disseram que ele sofreu várias cirurgias, passou por internações, mas estava recuperando. Agora, você vem aqui, nem comenta meu trabalho, me difama dessa forma. Mais uma vez, eu lamento pelo ocorrido e, preste atenção: ao contrário de você eu estou exposto e vou ligar novamente para o seu Cláudio e combinar um fim de semana para nos falarmos pessoalmente.
Minha esposa não se lembra de você ter ligado para ela, também pudera, nem sabe seu nome! A única pessoa que fez contato foi uma advogada, por sinal muito simpática.
Se você aceitar um conselho, aqui vai um: deixe a vida seguir seu caminho. Tudo tem um tempo certo de começar e terminar. Se ele foi uma pessoa boa, vai ter um pós vida tranquilo, cumpriu seu papel e deve estar trabalhando por vocês emitindo vibrações positivas. As mágoas, o luto prolongado só atrapalham.
Vou orar por você

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Sexualidade

O machismo está programado geneticamente para acabar! O cromossomo Y está perdendo genes, tá ficando mais murchinho. Na evolução não vai mais caber o homem que não perca características próprias do machismo. Isto é bom. Nenhum homem troglodita pode ser um instrumento de Deus completo. Fica posando de bonzinho e em casa subjuga sua companheira. Que tempos estamos vivendo, hein? Somos testemunhas das maiores revoluções da humanidade. Haja controle emocional para passar por tudo isso. Por isso que temos que nos adaptar. Somos mutantes ou pais de mutantes. Mas tudo em Deus é perfeito, o problema é que não enxergamos. Todo mundo que é entrevistado, vítima de qualquer coisa só quer justiça, como se Deus estivesse de braços cruzados e nós tivéssemos que assumir o papel de justiceiros.
Mas voltando à sexualidade, eu fico observando e invejando enfermeiros gays, o carinho que têm para com os pacientes e ao mesmo tempo me decepcionando vendo as suas obcessões pela fofoca, pelos bafões. Parece que a natureza está acertando os ponteiros para evoluir, tá faltando aparar as arestas.
Fico vendo o universo feminino que está mudando e assumindo seu lado "testosterônico" primeiro no trabalho e agora partindo pro ataque na conquista do ser desejado. Pena que digladiam entre si pelos motivos mais fúteis ou pela conquista do ser amado - A QUALQUER PREÇO - e o que o homem sente é o de menos. É a tal estória, se as mulheres se unissem, dominariam o mundo, mas nós, homens, estaríamos perdidos.
Aos trancos e barrancos estamos evoluindo, não temos mais problemas graves com a liberdade de sermos o que somos. Tudo está mais misturado e menos estereotipado. Talvez no futuro não mais seremos "classificados como homo, hetero, ou bissexual, mas sim por porcentagem de caracteres. Seremos ainda almas masculinas e femininas, mas com características adquiridas nas muitas encarnações que passamos e se for para sermos cada vez mais próximos da perfeição teremos que aceitar. Bjos.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Drogas e Emoções

Um dia eu li uma entrevista com o Dalai Lama em que o repórter perguntava qual a saída para o mundo ocidental cada vez mais violento e ele disse que, enquanto as pessoas continuassem ávidas por emoção, não haveria saída.
Na questão das drogas todos os personagens em questão são viciados em emoções. Vamos começar pelo personagem principal, o usuário. Geralmente ele é uma pessoa com componentes de caráter bons, mas que tentou preencher o vazio de sentimentos, ou de sentimentos negativos por emoções, assim como o é aquele que come demais, bebe demais e outras coisas que de boas para ruins só precisam de um aumento na dose. Ele é ávido por emoções, que só tem no início do vício e depois só sente necessidade de evitar o mal que a ausência da droga lhe faz. Vive frustrado pela ausência daquelas emoções do início e o alto preço pago por isso.
Depois vamos para a mãe, o pai ou o cuidador. Ele é viciado num tipo diferente de emoção. Masoquismo também é um tipo de emoção. Sob o pretexto de que fulano é da família, o cuidador se anula e cria um sentimento confuso de amor e ódio que vai entranhando e preenche o seu também vazio de existir. Quando os pais não impõe limite aos filhos é por medo de serem abandonados, têm sua auto estima em baixa e se vendem pos brinquedos, roupas e tudo o mais que lhes é pedido. Não vivem os sentimentos, mas as emoções desse relacionamento.
Vamos para o traficante não usuário. Viciado no dinheiro sabe lá porque vazio tenha, ele precisa de sempre mais, não se importando com o que possa causar à sociedade. Assume riscos, é viciado em adrenalina. Mais e mais emoções.
A polícia, salvo excessões, é viciada pela emoção da perseguição, da caçada, não se importando se a cadeia e tudo que ela tras, vai contribuir para a recuperação do indivíduo. Claro que tem a satisfação de livrar pessoas de bem dos bandidos, mas eu acredito que a linha para o prazer doentio é muito fino.
A sociedade que se alimenta de notícias de violência, se alimenta de emoções. Pede leis mais duras para o combate às drogas, mas se tiver algum parente envolvido, não tem coragem de denunciar. Por que sabe que não é esse sistema que vai recuperá-lo. A pessoa sai do notiuciário, vai para a novela atrás de mais emoções.
Será que a gente ainda sabe viver na sanidade? Sabe que não pode viver sem emoção, mas sabe dosá-la? Sabe conversar com o outro, sentir o outro e escrever uma história autêntica? Com sentimentos autênticos? A proibição das drogas vem do medo de nossos filhos se perderem no vício, medo de não termos cumprido o nosso papel de pais, de não termos dado formação e amor suficientes para que a escolha pelo não consumo seja natural. Toda proibição pura e simples gera violência. Não foi assim no comunismo? Não foi assim na Ditadura?
Eu acho que as drogas deveriam ser liberadas, de forma progressiva, começando com a maconha e só a partir de uma idade que represente um relativo amadurecimento da pessoa. Mas algumas coisas deveriam ser acordadas entre a sociedade para deixar de lado o emocional da questão. Primeiro um amplo serviço psicológico deveria ser oferecido para o usuário. Depois a imprensa deveria, no máximo, divulgar estatísticas e não expor a população ao horror humano, que já ocorre proibindo ou não. Por último, a produção seria caseira, limitada a uns 4 metros quadrados, para evitar que a indústria tome conta aumentando muito a oferta. Bjos.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

As Duas Leis

Meus neurônios frenéticos não param de trabalhar. De repente eu percebi que existem 2 leis principais que regem a espiritualidade e que coexistem e se completam, e que podem estar em sentido oposto ou na mesma direção. São as leis de causa e efeito e a de atração. A primeira é mais simples, é o "toma lá dá cá", a semeadura e a colheita. Se fosse só isso, o mundo seria só um pêndulo um vai e vem sem fim. Estaríamos ainda na Lei de Talião, a do "olho por olho e dente por dente". Mas existe a Lei de Atração, mais elaborada e que podemos simplesmente chamar de Fé.
Vamos supor que fizéssemos uma falta grave e estávamos pagando com um sacrifício imenso com muita dor. Então rezamos (ou oramos, como quiser) para pedirmos alívio, paciência ou resignação com muito fervor. Estamos acionando a Lei de Atração que entra em conexão com forças afins daquilo que pedimos e podemos conseguir. Ela não tem religião, senso de moral, podemos rezar para conseguirmos qualquer coisa, mas aí vem a Lei de Causa e Efeito e vai nos causar efeito semelhante daquilo que causamos ao nosso próximo em consequência do nosso pedido. Quando deixamos de causar um mal que desejamos por qualquer motivo, vaidade, vingança, mágoa, evitamos o efeito reverso. Se além disso fazemos o bem para essa pessoa, atraimos coisas boas. Claro que a era do bem ingênuo tem que acabar. Devemos sempre pensar: Tal coisa servirá ou não para fulano evoluir? Coisas emergenciais como fome ou doença não se discute, porque são básicas para se prosseguir na vida.
As leis estão em sentido oposto quando estamos muito endividados com outrem e não superamos esse mal, mesmo com muita oração. É o Karma pesado.
Estão em concordância quando, por exemplo, prestamos o vestibular e estudamos muito, antes (causa e efeito) e meditamos para tranquilizar (atração). Se não estudamos e ainda vamos pessimistas, elas também estão em concordância, mas no sentido oposto.
A Lei de atração requer um certo cuidado, porque nosso pensamento sempre tende pro lado pior. Somos dominados pelo medo de que algo terrível nos aconteça, nos enchemos de cadeados, alarmes de verdade ou imaginários. Frequentemente nossa oração não tem valor, porque estamos com medo, sem confiança e não atraímos as energias afins. Fora que todos nós temos contas a pagar, poderia, as vezes ficar elas por elas, mas quando somos credores, a primeira coisa que fazemos é clamar por "justiça".
Acho que o texto ficou meio confuso, qualquer coisa me escrevam. Bjos.